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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Os mistérios e segredos esquecidos da Pedra do Sino em Serra Talhada

 Vídeo com Imagens da Pedra do Sino 


A famosa pedra fica localizada a 6 km do centro de Serra Talhada, a margem direita da PE – 365 – rodovia que liga Serra Talhada a Triunfo. O local durante anos foi uma importante atração turística da cidade chamando a atenção dos moradores e de quem visitava Serra Talhada. Em seu livro sobre o centenário de Serra Talhada (1851-1951), Mário Melo, importante jornalista e político pernambucano, descreve desta forma a pedra:

“Constitue interessante curiosidade: um bloco de rocha, com aparência de grande sapatão, superposta a outra, com o ponto de apoio apenas no meio. Batendo-se em qualquer parte do bloco, nota-se vibração e ouve-se o som dum ‘sol’ grave, semelhante ao de um sino.” Segundo Mário Melo, a população achava que o bloco era “metálico”. No entanto, o próprio jornalista encarregou-se de levar uma amostra da pedra para o Recife, onde alguns estudiosos do assunto, identificaram que se tratava de material a base diorito, uma espécie de rocha vulcânica.

Outra fato levando por Melo em seu livro é a possibilidade das pedras terem sido colocadas naquela posição através da intervenção humana, precisamente, de homens pré-históricos que habitaram a região há milhares de anos, que fizeram o trabalho com o objetivo de usar o som da pedra para se comunicar com outras tribos. Porém, o próprio autor acaba refutando a idéia, pois, segundo ele, seria impossível os homens primitivos locomoverem uma pedra de mais de uma tonelada.

Mário Melo ainda cita no seu trabalho de pesquisa o poema em prosa de autoria do padre Jeferson Dinis, escrita em Teresópolis, no estado Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, no qual o vigário descreve a importância da rocha para toda a sua geração.

“Já disse que o sino das igrejas é como o coração da gente. Mas o meu coração é como aquele sino da catedral da minha infância. É um sino de pedra que demora a nordeste da cidade de Vila-Bela, em Pernambuco, cujos sons eternos, em sonoridades bárbaras, acordam lembranças que não devem dormir o sono do esquecimento. Porisso, eu tenho dependurado na torre solitária da saudade para que êle cante, chore ou festeje os dias de minhas primaveras em terras do Pajeú. É êle quem as vezes, reúne no parque da memória os velhos companheiros de escola, os meninos alegres daquele tempo: Metódio, Quincas Godoy, Zé Pedro, Diocleciano, Lero Ribeiro e outros muitos, cujas as mãos infantis mil marteladas vibraram nêsse querido sino de pedra, Deus colocou ao alcance dos nossos desejos.”

Mas, apesar de todo o que se falava sobre a Pedra Sino, nada foi feito para que o local fosse preservado. Durante anos a Pedra do Sino foi usado como espaço para bebedeiras, práticas sexuais e uso de drogas.

O resultado desse descaso é que a depredação e o vandalismo, fizeram com a pedra deixasse de emitir o som do sino. A rocha foi mutilada ao longo dos anos e o que restou dela representa menos da metade do tamanho original. No vácuo existente entre as duas pedras os vândalos colocaram lixo. Ainda assim, é possível perceber um suave som de metal emitido pela rocha.
O local onde se encontra a Pedra do Sino poderia está em um estado lastimável se não fosse Seu Manoel Ramos de Lima, também conhecido como Manoel de Anestina. Seu Manoel é um aposentado de 70 anos, reside na Rua do Egito, e há sete anos cuida do serrote onde fica a famosa pedra. Ele visita o local cerca de três vezes por semana, e sempre que pode ele corta o mato no entorno e pinta toda área, sem contar com ajuda de nenhum órgão público ou privado.

Seu Manoel diz que tudo começou em 2008, quando ele trabalhava como vigia no campo da associação ‘Peladão’. “Nesse período minha esposa – Anestina – passou por problemas de saúde, foi então que eu fiz uma promessa para Santo Antônio de Pádua e São Francisco de Assis. Graça a Deus ela ficou boa e daí em diante eu prometi que iria cuidar do local até o fim da vida” relata Seu Manoel.

O curioso da história de Seu Manoel é que ele fez a promessa na capela que fica no serrote, construída em 1950, por Francisca Nunes de Souza, que também foi agraciada com a intervenção dos dois santos. Apesar dos registros na capela, tanto de bronze, como de mármore, ninguém sabe dizer quem seria dona Francisca Nunes, nem mesmo seu Manoel tem conhecimento de quem seja ela, mas mesmo assim, o aposentando mantém a capela em ótimo estado de conservação.

Seu Manoel também fez outra promessa, só que dessa vez foi para alcançar uma graça para a sua filha. “Minha filha estava grávida eu acabei fazendo uma promessa para Nossa Senhora do Bom Parto, que se tudo desse certo no parto da minha filha eu colocava uma imagem dela em cima da pedra”. E foi só o neto de Seu João nascer para ele correr para cumprir a promessa.

As únicas coisas que Manoel não sabe dizer é que são os autores da frase evangélica “Deus é Pai!” – pichada na pedra – e de colocar elementos de rituais de religiões de matrizes africana no local. Mesmo com toda boa vontade em manter o serrote limpo o aposentado é taxativo, “eu pinto, corto o mato, só não faço é mexer nesse negócio de despacho!”.

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